Guarde seu coração, pois ele é a fonte da vida "Filho meu, dá-me o teu coração".

sábado, 2 de julho de 2011

MILHO, PIPOCA OU PIRUÁ?

          Alguns de nós são milho, pipoca ou piruá.Eu já fui milho e depois pipoca. Quem é você?

                                              Pipoca ou piruá?

Milho de pipoca que não passa pelo fogo, continua a ser milho de pipoca para sempre.  Assim acontece com as pessoas.
As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo.
Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito a vida inteira, vivendo uma mesmice e uma dureza assombrosa
Só que elas não percebem e acham que seu jeito de ser é o melhor. Mas, de repente, vem o fogo.
O fogo das dificuldades, do desemprego, da morte de um ente querido , da dor de ver um filho perdidonas drogas. Enfim, quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos.
Pode ser o fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão ou sofrimento cujas causas ignoramos.
Há sempre o recurso do remédio: apagar o fogo!
Sem fogo o sofrimento diminui e, com isso, a possibilidade de transformação também.
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, cada vez mais quente, pensa que sua hora chegou: vai morrer.
Dentro da sua casca dura, fechada em si mesma, não imagina um destino diferente para si, uma transformação que está sendo preparada para ela.
A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz.
Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece: BUMMMMMMMMMMMMM!
E ela aparece como algo completamente diferente, uma aparência com a qual  ela mesma nunca havia sonhado.
Bom, mas ainda temos o piruá, que é o milho de pipoca que se recusa a estourar.
São como aquelas pessoas, que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Estão satisfeita com sua maneira de viver
A presunção e o medo são a dura casca do milho que não estoura.
No entanto, o destino delas é triste, já que ficarão duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca, macia e nutritiva.
Não vão dar alegria para ninguém.

Texto adaptado de “A pipoca” extraído do livro O amor acende a Lua de Rubem Alves.

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